
Este ano, o coração do Amapá bateu no compasso do samba. O Carnaval 2026 entrou para a história como um dos mais vibrantes e acolhedores que nossa terra já viveu, reunindo tradição, comunidade e público de todos os cantos — do Amapá, do Brasil e até além da fronteira, com visitantes que vieram da Guiana Francesa, de Belém e de várias partes do mundo para celebrar essa festa que é a alma da nossa cultura.
Foram dois dias inesquecíveis de desfiles — 13 e 14 de fevereiro — onde seis escolas competiram no Grupo Especial e quatro no Grupo de Acesso, enchendo de brilho o Sambódromo de Macapá e as arquibancadas que, pela primeira vez na história, foram totalmente de graça, democratizando o espetáculo e convidando toda a cidade a fazer parte dessa festa popular, sem barreiras.
Nem a chuva, em alguns momentos, conseguiu apagar o colorido das fantasias, a grandiosidade das alegorias ou a energia contagiante das baterias e torcidas — um sinal claro de que, aqui no Amapá, a folia pulsa forte mesmo quando o céu derrama bênçãos.
No Grupo Especial, depois de uma disputa acirrada e emocionante, a Universidade de Samba Boêmios do Laguinho voltou a erguer o troféu principal. Com um desfile arrebatador e uma narrativa que falou de Sodoma e Gomorra — do Pecado à Redenção, a Boêmios conquistou mais um título, ampliando seu legado e se reafirmando como a escola mais vitoriosa do Carnaval amapaense.
Do outro lado da avenida, brilhou com força renovada a Mocidade Independente Império da Zona Norte, que consagrou-se campeã do Grupo de Acesso e garantiu seu retorno à elite do Carnaval, abrindo portas para um 2027 ainda mais promissor.
O espetáculo das escolas foi ainda mais especial porque mostrou, em cada canto e em cada passo, por que o Carnaval do Amapá é mais do que samba na avenida — é cultura viva, é tradição, é festa de todos e para todos. E foi exatamente isso que o público presente sentiu: cada batida de tambor, cada detalhe das fantasias, cada carro alegórico tão caprichado parecia sussurrar histórias da nossa gente e celebrar nossa identidade.
Entre as novidades e emoções que marcaram este ano, houve o rebaixamento histórico da tradicional escola Piratas da Batucada, uma das mais lendárias e maior campeã da história do carnaval amapaense, que viu sua trajetória de títulos dar uma guinada e agora se prepara para escrever novos capítulos no Grupo de Acesso — prova de que no samba, como na vida, a história se constrói com suor, paixão e esperança.
Mas se houve algo que dominou aquelas noites mágicas, foi a energia de um público presente em peso. As arquibancadas lotadas, o canto que não silenciava, a emoção nos olhos de quem ali estava — de famílias inteiras a turistas encantados — mostraram que o Carnaval do Amapá já é, mais do que festa local, um evento turístico de grande relevância, capaz de movimentar a economia, valorizar a cultura e colocar nosso estado no mapa das grandes celebrações nacionais.
Este Carnaval não foi apenas uma disputa de escolas. Foi uma celebração de inclusão — porque o povo foi convidado a participar, sentir, ver, cantar e fazer parte dessa história. Foi uma celebração de identidade, de arte, de orgulho amapaense. Foi uma festa que reforçou: quando o Amapá se encontra na avenida, o mundo inteiro se encanta.
